Acordado (Awake)

 

Argumento e Realização: Joby Harold

Principais Actores: Hayden Christensen, Jessica Alba,

 Lena Olin, Terrence Howard

 

por Fernando Barragão

O filme começa por dizer, de forma muito directa, ao que vem: há uns poucos infelizes (não tão poucos assim) que, a cada ano que passa, permanecem conscientes durante as intervenções cirúrgicas a que são sujeitos. Aparentemente, é o caso de Clayton Beresford, Jr. (Christensen), um jovem banqueiro que perdeu o pai ainda criança e que, embora alcançando notável sucesso no mundo dos negócios, vive à espera de um transplante de coração.

Insistindo no médico em que confia, o Dr. Jack Harper (Howard), e contrariando a vontade de sua mãe, Lilith (Olin), Clayton avança para o transplante, depois de se ter casado com Samantha (Alba), que acumula a relação com Clayton
com o cargo de secretária dos Beresford, o que explica como os dois se conheceram.

Um ponto de especial interesse nesta fita consiste no facto de o enredo não
nos ser dado pela ordem cronológica normal. Sendo já relativamente comum em filmes recentes (recordo, a título de exemplo, 21 Gramas, de Iñarritu), esta técnica torna-se mais pertinente se tivermos presente que Clayton morre na sala de operações e que nos é dado acompanhar as últimas horas da sua vida. Mas o seu uso não se fica por aqui. Quando a alma de Clayton se desprende do seu corpo, recua no tempo e ajuda-nos a deslindar as causas da sua morte física, assentes numa trama que envolve aqueles em quem confiava mais cegamente. Creio que dizer algo deste estilo abre o apetite para irem gastar dinheiro num bilhete…

Se tal não bastar, acrescento alguns pontos relevantes: a voz de Clayton a agonizar (acordado, não o esqueçamos) na mesa de operações; a voz de Harper a abrir e a encerrar o filme; e o amor de mãe, que é uma coisa linda (atenção ao diálogo entre Lilith e Clayton).

Existe, admito-o, a tentação de contar já a história toda. Mas já me deparei tanta vez com gente que se horroriza com a ideia de uma surpresa estragada que será avisado deixar que o espectador aprecie o filme por si próprio.

Razões não faltam, creio eu.

 

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